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Reabilitação da Política.


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02/03/2018

A reabilitação da política é condição primeira para a implementação de novos rumos na sociedade brasileira e, por isso, sua urgência se configura enorme necessidade. Inclui longo caminho de reconstituição e recomposição. Com ressalvas aos que merecem o reconhecimento na história política do Brasil por sua envergadura moral e patriótica, esse processo de reabilitação não dispensa ninguém de uma profunda mudança de hábitos. Rever práticas e procedimentos viciados de indivíduos e funcionamentos institucionais é conditio sine qua non para se alcançar a meta de reabilitar a política. E, aqui, reside um dos maiores obstáculos que se antepõem ao processamento dessa habilitação: os culpados pelos descompassos nunca reconhecem os próprios erros nem fazem mea culpa.

O que se vê é o uso oportunista das delações premiadas, no seu sentido e alcance jurídico próprios, provocado por interesses de caráter individual. Na maioria das vezes, tudo não passa de tentativas para amenizar penas, que logo caem no vazio. As revelações e acusações apresentadas são rebatidas por meio de discursos farisaicos, em que predomina o argumento da inexistência de culpa e de responsabilidades. Mesmo com indícios incontestes, a exemplo da derrocada na economia, nos serviços, nos funcionamentos, e dos enriquecimentos ilícitos, todos afirmam ser inocentes, ilibados e garantem só ter feito o bem.

A reabilitação da política, desse modo, inclui urgente e profunda reabilitação moral da cidadania brasileira, particularmente naqueles que se oferecem para representar o povo e a ele servir, – pois há um sério comprometimento da autoridade política – basta confrontar os resultados das pesquisas que apontam o descrédito em relação àqueles que exercem o poder.

A sociedade brasileira padece das terríveis consequências da falta de coordenação e direção que deveriam partir dos representantes eleitos pelo povo, no sentido de orientar para uma ordem em que as relações, instituições e procedimentos estejam a serviço do crescimento humano integral. Ao contrário, o que se vê é a prática do cartorialismo e a transformação das instâncias políticas em bancas de negócios. Aqui se revela a falta de arcabouço humanístico de quem se submete aos sufrágios eleitorais, seduzido pelos funcionamentos que enjaulam a dimensão partidária no corporativismo, com prejuízos para o conjunto da sociedade. Tudo pela força da ganância, materializada nas práticas de propinas, nas sacolas e malas de dinheiro, cujos donos reclamam e defendem a própria inocência. Triste realidade que comprova o alto grau de patologia que formata a cidadania brasileira.

Desse modo, a reabilitação da política só será possível se tiver como ponto de partida e compromisso permanente a força moral própria da autoridade política, o que demanda uma radical mudança de comportamento por parte de cada cidadão – singularmente o representante político do povo -, no sentido de se deixar guiar pela lei moral, no âmbito privado e público.

O gosto e o cultivo da autoridade moral terão, assim, por consequência, a abominação das práticas equivocadas dos representantes do povo – a exemplo do enriquecimento por meio de privilégios e benesses. Condutas viciadas que cegam e resultam na perda de rumos, na incapacidade de se encontrar soluções e podem ser percebidas pelas péssimas condições dos setores da educação, da infraestrutura e da saúde.